Pastor organizou protesto no qual evangélicos atacaram o movimento LGBT, o
governo federal e o Judiciário.
Eduardo Bresciani - O Estado de S. Paulo
BRASÍLIA - Milhares de evangélicos participaram nesta quarta-feira, 5, de uma
manifestação em Brasília, convocada por pastores e liderada por Silas Malafaia,
em defesa da liberdade religiosa. Pastores e políticos fizeram ataques ao
movimento LGBT, ao governo federal e ao poder Judiciário.
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Malafaia esteve junto com o pastor e
presidente da Comissão de Direitos Humanos, Marco Feliciano
A assessoria de imprensa da Polícia Militar informou que estimativa era de um
público de 40 mil pessoas. A organização estimou em 70 mil o número de presentes
e informou ter gasto R$ 500 mil na realização do evento, incluindo propagandas
televisivas convocando o público. A Associação Vitória em Cristo arcou com os
custos.
Principal organizador do evento, o pastor Silas Malafaia foi quem falou por
mais tempo e fez o discurso com mais ataques aos "adversários" dos evangélicos.
Ele começou com diversas críticas ao que chamou de "ativismo gay", em referência
ao movimento LGBT.
"O crime de opinião foi extinto e o ativismo gay quer dizer que a minha
opinião sobre a união homoafetiva é crime. Nós chamam de fundamentalistas, mas
eles são fundamentalistas do lixo moral, o ativismo gay é o fundamentalismo do
lixo moral", afirmou Malafaia. "Tentam comparar com racismo, mas raça é
condição, não se pede para ser negro, moreno ou branco. Homossexualidade é
comportamento. Ninguém nasce homossexual", complementou.
Malafaia criticou o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Conselho Nacional de
Justiça (CNJ) por terem "na caneta" aprovado a união civil entre pessoas do
homossexual e obrigar cartórios a registrar o casamento gay. Criticou ainda o
governo pela indicação de Luís Roberto Barroso para o STF por ele já ter
defendido a legalização do aborto. Atacou ainda o PT destacando o julgamento do
mensalão e sugerindo que a indicação de Barroso poderia ter como objetivo
absolver os condenados. "O povo quer ver os mensaleiros na cadeia", disse.
Encerrou destacando ser o objetivo do evento mostrar a força dos evangélicos.
"Esse nosso evento é um ensaio, um exercício de cidadania. Não somos cidadãos de
segunda classe, vamos influenciar a nação".
Um dos mais ovacionados pelo público foi o pastor Marco Feliciano (PSC-SP),
presidente da comissão de Direitos Humanos da Casa. Ele citou em seu discurso os
ataques que sofreu desde que assumiu a comissão. "Depois de 90 dias no vale da
sombra, das mortes, estou aqui para dizer que represento vocês", disse
Feliciano. Ele afirmou ainda que a "família" tem de vir antes do governo e da
sociedade e concluiu seu pronunciamento dizendo esperar pela eleição de um
presidente da República evangélico.
Outro tema que motivou protestos de vários dos convidados a discursar foi o
projeto que criminaliza a homofobia, em tramitação no Congresso. O senador Magno
Malta (PR-ES) afirmou que há um objetivo de criar uma "casta de homossexuais" e
garantiu que a bancada evangélica não deixará essa proposta ser aprovada.
Apesar de o evento ter sido convocado como manifestação pacífica houve
truculência no palco quando seguranças confundiram, no palco, a bandeira de uma
igreja com a do movimento LGBT. O material era da Igreja Quadrangular e foi
apreendido de forma brusca pelos seguranças que retiraram com força um pastor e
outro integrante do grupo. Após ter sido esclarecido que os envolvidos na
confusão eram evangélicos a entrada deles foi liberada, mas a organização
confiscou a bandeira afirmando que o material não poderia ser exibido para não
vincular o evento a nenhuma igreja específica.