Uma empresa de mototáxi de Ribeirão Preto (313 km de São Paulo) foi condenada pela Justiça do Trabalho, em primeira instância, a indenizar por dano moral uma ex-funcionária alvo de humilhação por ser obesa. A sentença, de junho deste ano, condenou a empresa ao pagamento de uma indenização de R$ 16 mil. Em audiência de conciliação, no último dia 28, foi fechado um acordo de R$ 8.000. O processo foi movido por Nahla Camila do Espirito Santo dos Santos, 29. Na ação, a empresa aparece com a razão social de Fabricio Pelet Andrade, que é o nome do dono do estabelecimento. Nahla afirma que foi secretária na empresa por cerca de dois anos, até novembro de 2011. Ao longo do ano passado, diz ela, passou a ser alvo de humilhações causadas por outra funcionária do local. Ela diz que a companheira de trabalho fazia desenhos ridicularizando sua obesidade. Afirma que, hoje, tem 138 quilos, mas que na época do ocorrido pesava 162 quilos. Nahla diz que a pior das humilhações ocorreu quando a mulher colou no banheiro dos funcionários o desenho de um elefante. No papel, havia a inscrição "Ká" --ela diz ser uma referência a Camila, seu segundo nome. Ela conta que, diante do ocorrido, chegou a procurar a Polícia Civil para registrar um boletim de ocorrência, mas que foi orientada a expor o problema a seu patrão. Nahla diz que escreveu o que estava passando em um papel e entregou a Andrade, que, segundo ela, chegou a assinar o documento, mas não tomou providências. "Não esperava que ele a demitisse, mas que houvesse ao menos uma advertência." Nahla disse que fazia tratamento psicológico em razão do fato. Ela afirma que foi sua psicóloga quem a orientou a procurar a Justiça. No texto da sentença, o juiz do trabalho substituto Gustavo Triandafelides Balthazar cita que "cabe ao empregador propiciar um ambiente de trabalho saudável, tomando as medidas necessárias, inclusive fiscalizadoras, para que nenhum trabalhador tenha sua dignidade abalada". A Folha não conseguiu localizar Andrade nesta sexta-feira. A reportagem esteve no escritório do advogado que o representou no processo, mas a informação é que ele estava em viagem. Não houve resposta ao recado deixado no local. |
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