domingo, 19 de fevereiro de 2012

PERSONALIDADES NEGRAS

O Brasil, país com a segunda maior população negra do mundo ( 75 milhões de negros e pardos), em geral, ostenta, nos livros didáticos, as imagens e trajetórias de notáveis homens da elite branca.
Segundo estes livros, a construção da nacionalidade e da identidade nacional passaram fundamentalmente pelas mãos de descendentes de europeus, que, em terras tropicais, construíram uma nova civilização. A história, no entanto, não é bem assim. O Brasil teve e tem grandes nomes negros que deram contribuição fundamental para o desenvolvimento da nação em diversos campos de estudos e ramos profissionais.

Em geral, eles, devido ao exemplo impar, não são apontados como negros, como homens sem cor. No entanto, são afro-descendentes, que guardam, no mais intimo de suas personalidades, ligações com o mundo de seus antepassados. Na verdade, são homens e mulheres negros que se destacaram, num esforço familiar ou individual, para se tornarem cidadãos bem-sucedidos ou de especial destaque em suas áreas. Com isso, conquistaram a admiração dos demais brasileiros e tornaram-se exemplos para a sua e para as novas gerações.
Foram ou são políticos, escritores, médicos, engenheiros, advogados, músicos, cientistas, religiosos, jornalistas, atletas, militantes ou artistas negros e mestiços que passaram pelas tradicionais barreiras à ascensão social e conseguiram se firmar na sociedade brasileira

NELSON MANDELA

Até 2009 havia dedicado 67 anos de sua vida a serviço da humanidade - como advogado dos direitos humanos e prisioneiro de consciência, até tornar-se o primeiro presidente da África do Sul livre, razão pela qual em sua homenagem a ONU instituiu o Dia Internacional Nelson Mandela no dia de seu nascimento, como forma de valorizar em todo o mundo a luta pela liberdade, pela justiça e pela democracia.
Nascido numa família de nobreza tribal, numa pequena aldeia do interior onde possivelmente viria a ocupar cargo de chefia, abandonou este destino aos 23 anos ao seguir para a capital Joanesburgo, e iniciar a atuação política, vindo a se tornar o político mais galardoado em vida, responsável pela refundação de seu país - em moldes de aceitar uma sociedade multiétnica.
Foi o mais poderoso símbolo da luta contra o regime segregacionista do Apartheid, sistema racista oficializado em 1948, e modelo mundial de resistência.


ZUMBI DOS PALMARES

Zumbi dos Palmares nasceu em 1655, no estado de Alagoas. Ícone da resistência negra à escravidão, liderou o Quilombo dos Palmares, comunidade livre formada por escravos fugitivos das fazendas no Brasil Colonial. Localizado na região da Serra da Barriga, atualmente integra o município alagoano de União dos Palmares. Embora tenha nascido livre, Zumbi foi capturado aos sete anos de idade e entregue a um padre católico, do qual recebeu o batismo e foi nomeado Francisco. Aprendeu a língua portuguesa e a religião católica, chegando a ajudar o padre nas celebrações de missas. Porém, aos 15 anos, voltou a viver no quilombo, pelo qual lutou até a morte, em 1695.
Zumbi é considerado um dos grandes líderes de nossa história. Símbolo da luta contra a escravidão, lutou também pela liberdade de culto religioso e pela prática da cultura africana no País. O dia de sua morte, 20 de novembro, é lembrado e comemorado em todo o território nacional como o Dia da Consciência Negra.
MALUNGUINHO



Líder negro do século 19 é cultuado como divindade
No culto da Jurema, Malunguinho é uma entidade de grande poder, que se manifesta de três formas bastante distintas: Exu, Caboclo e Mestre. O primeiro representa o mensageiro, fazendo o elo de ligação da linha da Jurema com as pessoas. O segundo é a figura do guia, o principal protetor dos iniciados no culto. O terceiro representa alguém que teve existência real na terra. Catucá era o nome Genérico dado às Áreas de Floresta que margeavam as regiões de produção de açúcar e algodão da Zona da Mata de Pernambuco. Ela começava nos matagais e morros localizados na saída de Recife e Olinda para o interior, e seguia no sentido norte até Goiana, já na divisa com a Paraíba.
Neste caminho estavam localizados mais de 100 engenhos, inclusive os maiores e mais antigos da Província. Os locais de esconderijo dos escravos fugidos estavam justamente nessa área.
Na época do surgimento do Quilombo de Catucá, no começo do século XIX, a Província de Pernambuco abrigava uma população de meio milhão de pessoas e seu território estava tomado de fazendas e engenhos (Carvalho, 1996:407-8). A elite local destacava-se no cenário político ao reivindicar, para a colônia portuguesa nas Américas, um projeto político federalista, distinto daquele encampado pela Corte carioca no processo de independência em relação a Portugal (Mello, 2004).
Os conflitos políticos como a Revolta de 1817, a expulsão do governador português Luís do Rego em 1821 e a Confederação do Equador em 1824 criaram condições propícias para que os escravos da região se organizassem no Catucá (Carvalho, 1996:410). Naquele período, houve diversos registros de fuga de cativos, roubos de fazendas e assassinatos. As expedições de captura dos fugitivos não foram suficientes para desmantelar o quilombo ou mesmo para impedir outras fugas de escravos. No ataque de 1827, Malunguinho destacou-se como o comandante do grupo que se preparava para tomar a capital. Sua evidência era tal que Catucá também ficou conhecido, à época, como Quilombo de Malunguinho. As autoridades temiam tanto tal liderança que o governo local chegou a oferecer um prêmio de 100 mil réis pela sua cabeça. Foi a maior quantia ofertada até então pela captura de alguém em Pernambuco.


MÃE MENININHA DE GANTOIS

Nascida no Centro Histórico de Salvador em 10 de fevereiro de 1894, Mãe Menininha do Gantois, como ficou conhecida Maria Escolástica da Conceição Nazaré, teve como pais Joaquim e Maria da Glória. Descendente de escravos africanos, ainda criança foi escolhida para ser Iyálorixá no terreiro Ilê Iyá Omi Axé Iyamassê, fundado em 1849 por sua bisavó, Maria Júlia da Conceição Nazaré, cujos pais eram originários de Agbeokuta, sudoeste da Nigéria.
Foi a quarta das Iyálorixá do Terreiro do Gantois e a mais famosa do País. Iniciada no culto aos orixás de Keto aos oito anos de idade, assumiu definitivamente o terreiro aos 28. Foi uma das principais articuladoras do término das restrições a cultos impostas pela Lei de Jogos e Costumes de 1930, que condicionava a realização de rituais à autorização policial e limitava o horário de término dos rituais às 22 horas. Símbolo da luta pela aceitação do candomblé pela cultura dominante, Mãe Menininha abriu as portas do Gantois aos brancos e católicos. Nunca deixou de assistir às celebrações de missa e convenceu os bispos baianos a permitirem a entrada de mulheres – inclusive ela – vestidas com as roupas tradicionais das religiões de matriz africana nas igrejas. A Iyálorixá faleceu de causas naturais, aos 92 anos de idade.


JULIANO MOREIRA

Afro-descendente nascido na capital da Bahia, Juliano Moreira ingressou na Faculdade de Medicina do Estado em 1886, apesar da origem humilde. Um dos pioneiros na psiquiatria brasileira, foi o primeiro professor universitário a citar e incorporar a teoria psicanalítica em suas aulas, além de ter representado o Brasil em congressos internacionais como os de Paris, Berlim, Lisboa e Milão nos anos de 1900. Moreira contrariou o pensamento racista existente no meio acadêmico de sua época, que atribuia os problemas psicológicos dos brasileiros à miscigenação. À frente do Hospício Nacional dos Alienados do Rio de Janeiro, humanizou o tratamento e acabou com a clausura dos pacientes. Defendeu a idéia de que a origem das doenças mentais se devia a fatores físicos e situacionais, como a falta de higiene e de acesso à educação. Uma de suas principais lutas foi a reformulação da assistência psiquiátrica pública. Destacou-se por incentivar a promulgação da primeira lei federal de assistência aos alienados em 1903, ao mesmo tempo em que sugeriu novos formatos institucionais e de tratamento para as doenças mentais. Deve-se a esse grande cientista e gestor afro-brasileiro a criação do Manicômio Judiciário e a aquisição do terreno para construção da Colônia Juliano Moreira.


LIMA BARRETO

Filho de escravos em um Brasil que lutava para abolir oficialmente a escravidão, Afonso Henriques de Lima Barreto teve oportunidade de boa instrução escolar, vindo a tornar-se jornalista e um dos mais importantes escritores e militantes da causa do País. Ainda jovem, aprendeu a trabalhar com tipografia e, em 1902, começou a contribuir para a imprensa brasileira, escrevendo para pequenos veículos de comunicação. Em jornais de maior circulação, começou a escrever em 1905, destacando-se, especialmente, no jornal Correio da Manhã, ao realizar uma série de reportagens sobre a demolição do Morro do Castelo. Posteriormente, passou a colaborar em vários jornais e revistas, sendo considerado um dos maiores críticos contra o regime republicano. Simpático ao anarquismo, passou a militar na imprensa socialista. Resultado das lembranças do fim do período imperial no Brasil, bem como remotas recordações da Abolição da Escravatura, os livros de Lima Barreto são pincelados com indisfarçáveis traços autobiográficos. Eles começaram a ser publicados em 1909, em Portugal, sendo o primeiro o romance Recordações do escrivão Isaías Caminha. O autor teve publicados 11 livros. Sua obra mais famosa é Triste fim de Policarpo Quaresma.


JOÃO CÂNDIDO (ALMIRANTE)

Militar brasileiro, João Cândido Felisberto, o Almirante Negro, nasceu em 24 de junho de 1880 em Encruzilhada, Rio Grande do Sul, numa família de ex-escravos. Entrou para a Marinha do Brasil aos 14 anos, onde presenciou penalidades a chibatadas sobre seus companheiros, apesar de este tipo de castigo ter sido abolido em 1890. No ano de 1910, liderada por João Cândido, a tripulação da embarcação Minas Gerais se revoltou contra seu comandante, que castigara um dos homens da tripulação com 25 chibatadas. O marinheiro passou a reivindicar o fim dos maus-tratos psicológicos e das punições corporais, liderando assim a Revolta da Chibata. Outras reivindicações do movimento foram o aumento de salário, a redução da jornada de trabalho e a anistia dos revoltosos. A principal conquista da rebelião foi o compromisso do governo da época de acabar com a chibata na Marinha. João Cândido foi expulso da corporação ainda em 1910, sob acusação de ter favorecido os rebeldes. Faleceu no Rio de Janeiro aos 89 anos.


ANTONIETA DE BARROS

Nascida em 11 de julho de 1901, Antonieta de Barros foi a primeira mulher a integrar a Assembleia Legislativa de Santa Catarina. Educadora e jornalista atuante, teve que romper muitas barreiras para conquistar espaços que, em seu tempo, eram inusitados para as mulheres – e mais ainda para uma mulher negra. Deu início às atividades como jornalista na década de 1920, criando e dirigindo em Florianópolis, onde nasceu, o jornal A Semana, mantido até 1927. Na mesma década, dirigiu o periódico Vida Ilhoa, na mesma cidade. Como educadora, fundou o Curso Antonieta de Barros, que dirigiu até a sua morte, em 1952, além de ter lecionado em outros três colégios.
Manteve intercâmbio com a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino e, na primeira eleição em que as mulheres brasileiras puderam votar e receberem votos, filiou-se ao Partido Liberal Catarinense, que a elegeu deputada estadual. Tornou-se, desse modo, a primeira mulher negra a assumir um mandato popular no Brasil, trabalhando em defesa dos diretos da mulher catarinense


MARTIN LUTHER KING

O pastor norte-americano Martin Luther King foi um grande defensor da resistência não violenta contra a opressão racial e, por este motivo, elevado à condição de líder do movimento em favor dos direitos civis das minorias. Por sua militância em defesa da vida, recebeu, em 1964, a mais alta honraria internacional concedida aos pacifistas: o Prêmio Nobel da Paz.
Luther King lutou por um tratamento igualitário e contribuiu para a melhoria da situação da comunidade negra mediante protestos pacíficos e discursos enérgicos sobre igualdade racial. Em 1955, organizou o famoso boicote ao transporte público em Montgomery (Alabama), em protesto contra a prisão de Rosa Parks, uma mulher negra que recusou lugar a uma passageira branca em um coletivo.
A ação, que durou 381 dias, representou uma grande vitória para o protesto pacifista, fazendo com que Luther King emergisse como líder altamente respeitado. Apesar do reconhecimento, foi preso, teve sua casa atacada e recebeu diversas ameaças contra a sua vida. Em abril de 1968, foi assassinado em Memphis, Tenessee, por um branco que havia escapado da prisão.


MÃE ANINHA

Filha de africanos, Eugênia Anna Santos, a ialorixá Obá Biyi, nasceu em Salvador. Mais conhecida como Mãe Aninha, ela foi instruída no candomblé do Engenho Velho – a casa de Mãe Nassô –, fundado por volta de 1830 e o primeiro a funcionar regularmente na Bahia. Saiu de lá para formar uma nova casa, o Ilê Axé Opô Afonjá, hoje considerado Patrimônio Histórico Nacional.
Mãe Aninha sempre lutou para fortalecer o culto do candomblé no Brasil, além de garantir condições para o seu livre exercício. Por intermédio do ministro Osvaldo Aranha, que era seu filho de santo, Mãe Aninha provocou a promulgação do Decreto Presidencial nº 1202, no primeiro governo de Getúlio Vargas, pondo fim à proibição aos cultos afro-brasileiros em 1934. Em sua época, foi uma personalidade importante, muito respeitada e popular, principalmente nos candomblés do Estado da Bahia. Falecida no ano de 1938, a ialorixá Mãe Aninha foi sucedida por Mãe Bada de Oxalá e, posteriormente, por Maria Bibiana do Espírito Santo, Oxum Muiuá, popularmente conhecida como Mãe Senhora de Oxum.

CAROLINA DE JESUS

Filha de negros, Carolina de Jesus nasceu em Sacramento, Estado de Minas Gerais. De família pobre, a intelectual brasileira contou com a proteção de Maria Leite Monteiro de Barros, que patrocinou seus estudos. Célebre intérprete lírica brasileira, Carolina foi também escritora e tem em sua obra um importante referencial para os estudos culturais no Brasil e no mundo. Por meio de sua escrita de contestação, Carolina revela a importância do testemunho como meio de denúncia sociopolítica de uma cultura hegemônica que exclui. Sua obra mais conhecida é Quarto de despejo, que resgata e delata uma face da vida cultural brasileira no início da modernização da cidade de São Paulo e do surgimento de suas favelas. Sua obra, que é considerada a literatura das vozes subalternas, inspirou diversas expressões artísticas, como a letra do samba Quarto de despejo, de B. Lobo; o texto em debate no livro Eu te arrespondo, Carolina, de Herculano Neves; a adaptação teatral de Edy Lima e o filme Despertar de um sonho, realizado pela Televisão Alemã, utilizando a própria Carolina de Jesus como protagonista.

MIRIAN MAKEBA

Conhecida como Mama África, a cantora sul-africana Zenzile Miriam Makeba foi uma das grandes vozes pelos direitos humanos, além de lutadora contra o apartheid em Joanesburgo, sua terra natal. Compromisso que pagou com mais de 30 anos de exílio. Seu momento decisivo aconteceu em 1960 quando participou do documentário antiapartheid Come Back, Africa. Em 1963, depois de um testemunho sobre as condições dos negros na África do Sul perante o Comitê das Nações Unidas contra o apartheid, seus discos foram banidos do país pelo governo racista e seu direito de regresso ao lar e a sua nacionalidade foram cassados. Mama África tornou-se apátrida, mas ainda assim sua voz celebrou todas as independências do continente africano. Na década de 1990, regressou ao país após a libertação de Nelson Mandela, mas esperou seis anos antes de gravar um novo disco, Homeland. Obra onde a principal canção descreve sua alegria pelo regresso com o movimento racista já banido. Foi a primeira mulher negra a receber o prêmio Grammy Award de música, o qual partilhou com o cantor norte americano Harry Belafonte em 1965.

LUIZ GAMA

Filho de fidalgo português com uma africana, Luiz Gonzaga Pinto da Gama nasceu livre em Salvador, porém, aos 10 anos, foi vendido como escravo pelo pai para pagar uma dívida de jogo. Foi transportado para o Rio de Janeiro e mais uma vez vendido num lote de mais de cem escravos, dessa vez, seguindo para a Província de São Paulo. Aprendeu os ofícios do escravo doméstico – copeiro, sapateiro, lavagem e passagem de roupas. Aos 17 anos, serviu ao estudante Antônio Rodrigues de Araújo, que se hospedou na fazenda onde Luiz vivia. O jovem tornou-se seu amigo e o ensinou a ler e escrever. Frequentou o curso de Direito, que não chegou a completar. Tornou-se jornalista renomado ligado aos círculos do Partido Liberal. Junto a Rui Barbosa, fundou o jornal Radical Paulistano em 1869. Foi líder da Mocidade Abolicionista e Republicana. Sua liderança deu origem ao movimento abolicionista paulista. Apesar de não ter se formado, tinha autorização do poder judiciário para exercer a advocacia em primeira instância. Sozinho, foi o responsável pela libertação de mais de mil cativos, um feito notável considerando-se que agia exclusivamente com o uso da lei. Luiz Gama faleceu vítima de diabetes na cidade de São Paulo em 1882.

ERNESTO CARNEIRO

Médico e literato brasileiro nascido em Itaparica, Estado da Bahia, o afrodescendente Ernesto Carneiro Ribeiro foi pioneiro ao produzir uma gramática baseada na língua portuguesa. Diferente das gramáticas então existentes, expôs e defendeu a normatização de peculiaridades da língua oficialmente falada no país. Formado em medicina, Ernesto dedicou-se ainda ao magistério.  Polêmico, foi responsável por famosos debates linguísticos sobre o parecer do jurista Rui Barbosa em relação aos oito volumes do Projeto do Código Civil Brasileiro, publicado pela Imprensa Nacional (1902). Envolvido a contragosto na apreciação do projeto, destacou aspectos do português falado no Brasil, nunca antes percebidos pelos gramáticos.  Sobre o assunto, publicou A redação do projeto do código civil (1902) e A réplica do dr. Rui Barbosa (1905). Quando recém-proclamada a República, participou de uma comissão formada pelo governador Manuel Vitorino, destinada a elaborar um plano de ação educacional. Ernesto Carneiro faleceu em sua terra natal, em 13 de novembro (1920), aos 81 anos.

ABDIAS NASCIMENTO

Nascido em 1914 no município de Franca, Estado de São Paulo, Abdias foi filho de Dona Josina, a doceira da cidade, e Seu Bem-Bem, músico e sapateiro. Embora de família pobre, conseguiu se diplomar em contabilidade em 1929. Aos 15 anos alistou-se no exército e foi morar na capital São Paulo, onde anos depois se engajou na Frente Negra Brasileira e se envolveu na luta contra a segregação racial. Dramaturgo, poeta e pintor, atuou também como deputado federal, senador e secretário de Estado onde desenvolveu aspectos dessa luta. Autor das obras Sortilégio, Dramas para Negros e Prólogo para Brancos e O Negro Revoltado, relatou em seus livros as realidades quilombolas e levantou temas como o pensamento dos povos africanos, combate ao racismo, democracia racial e o valor dos orixás nas religiões de matriz africana. Com uma trajetória marcada pelo ativismo, Abdias teve como resultado de suas iniciativas importantes desdobramentos na defesa e na inclusão dos direitos dos afrodescendentes brasileiros. Conquistas de suas lutas foram a contemplação da natureza pluricultural e multiétnica do país na Constituição de 1988, a criminalização do racismo e os primeiros processos de demarcação das terras de quilombos.

ALBERT LUTHULI

Primeiro negro a receber o Prêmio Nobel da Paz, Albert John Luthuli Mvumbi foi defensor da não-violência e forte opositor do Apartheid. Lutou incansavelmente por uma África do Sul que pertencesse a todos os que nela viviam, fossem negros ou brancos. Foi presidente do Congresso Nacional Africano e, em conjunto com o Congresso Indiano da África do Sul, retomou, nos anos 1950, a luta de não violência iniciada por Ghandi. Filho de um Adventista do Sétimo Dia, Albert Luthuli nasceu em 1898 perto de Bulawayo, Rodésia do Sul. Desde jovem era considerado liderança em grupos que iam de familiares a comunitários, chegando à política. Profundamente religioso, foi um pregador leigo da paz em um momento em que muitos de seus contemporâneos pediam atitudes militantes contra o Apartheid. Liderou milhares das pessoas que boicotaram os ônibus onde a distinção racial era vigente, não adquiriam certos produtos agrícolas e desobedeciam as leis racistas. Como a maioria que lutava pela igualdade entre os homens, Luthuli foi preso e processado. Em 1959 foi proibido de participar de manifestações populares e obrigado a se exilar de sua terra natal durante 5 anos. Morreu misteriosamente atropelado por um trem em 1967.



Indico aqui alguns vídeos que se encontram disponíveis na internet afim de agregar conhecimento;

Quilombo 1984
http://www.youtube.com/watch?v=Nz-K23krfVY

África - Uma história rejeitada
http://www.youtube.com/watch?v=c1P884OBMIk&feature=related

A história do brasil
http://www.youtube.com/watch?v=pSyE82yRaKU&feature=related

(Fotes utilizadas para a cosntrução deste texto: Estudos didáticos próprios, You Tube, Fundação Palmares, Brasil Escola,, Wikipeia e imagens do google.)

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